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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Sab | 07.08.21

À Conversa Nas Nuvens - Maria Pitta Paixão

Nuvem

Maria Pitta Paixão. É, há muitos anos, conhecida não só pela sua família, mas também por participar em algumas séries juvenis da televisão.

Hoje, com a vida que não sonhou mas mais do que à altura dos seus sonhos, está nas Nuvens para nos contar tudo!

 

maria pitta paixão.png

 

Olá Maria. Antes de mais, muito obrigado por estar aqui hoje! A Maria vem de uma família grande e unida, onde o amor sempre esteve bem patente. É o amor a base de tudo?

O amor é claramente a base de tudo - juntamente com educação, valores, respeito e empatia. Levo para a vida estes valores e, até posso acrescentar outro que é justiça  acho que com amor, todos estes vêm atrás!

 

Valores como a inclusão e o respeito pelo outro deveriam ser essenciais na educação de qualquer criança para que o mundo se torne num sítio melhor?

Sim, para mim é obrigatório incluir na educação o respeito e a inclusão. Lá porque as pessoas não são iguais a nós, não quer dizer que não as respeitemos. Temos que aprender a respeitar a diferença e isso, para mim, também é amor.

 

Quando era ainda muito nova, entrou no mundo da televisão e da exposição pública. Foi difícil não haver deslumbramento? Ou a estrutura familiar exigiu sempre “pés bem assentes na terra”?

Nunca me senti deslumbrada, costumo dizer que a minha mãe para mim é a minha mãe, não a Bibá Pitta. Por isso, quando fiz uma série a exposição não foi muito maior do que a que já tinha por causa da minha mãe. Vivi sempre com isso, por isso não há como haver deslumbramento no meu ponto de vista. Os pés bem assentes na terra fazem e sempre fizeram parte da minha educação. Não há nada como a humildade e a boa educação... Não é pela exposição que somos mais que alguém!

 

Entretanto, a Maria é hoje hospedeira de bordo. Foi uma decisão consciente essa de deixar o mundo televisivo ou, simplesmente, foi deixando de ter trabalho e optou por enveredar por outro caminho?

Fiz duas séries mas acabar pelo menos o 12º era obrigatório. Acabei por não fazer mais nada, até porque em mais velhos os papéis já são outros. Fui para a faculdade onde estava a tirar Direito mas sempre foi um curso que não me fazia sentir em casa, hoje em dia teria escolhido a minha segunda opção, a Psicologia. Sempre tive curiosidade com o mundo a aviação e consegui entrar na Euroatlantic - uma grande escola do mundo dos aviões - e, mais tarde, na TAP.  Adoro o meu trabalho!

 

A Maria tornou pública a dificuldade que teve em engravidar do António, o seu segundo filho. Nessa altura, sente-se que, de alguma forma, estamos a falhar e que a culpa é nossa e/ou do outro?

O meu processo foi de um ano e meio com a tentativa de engravidar do António, não quero imaginar as pessoas que esperam anos e muito menos as que não conseguem. Há a tendência para se culpar tudo à nossa volta: nós, o outro e o mundo. Neste ano e meio tive uma gravidez não evolutiva e existe sempre a pergunta do “será que fui eu que falhei? que fiz alguma coisa que não devia ter feito?” enfim.
Acho que é um processo muito íntimo e pessoal. Graças a Deus tive um final feliz que coincidiu com a mudança para o meu atual médico, que logo na primeira consulta me disse que não tinha problema absolutamente nenhum. Engravidei no mês seguinte e a gravidez correu às mil maravilhas.

 

Lidar com os comentários negativos e mais inconvenientes aprende-se ou, no fundo, há alguns que vão sempre magoar?

Aprender a lidar com comentários maus, invejosos e companhia faz parte do crescimento. Mas sim, há sempre uns que magoam. Principalmente quando as outras pessoas não nos conhecem e nos julgam só porque sim.

 

Nas redes sociais, as pessoas continuam, muitas delas, a julgar a vida dos outros, sem se preocuparem com o que essas opiniões podem causar ao outro. A empatia é algo que foi perdido e que é urgente recuperar?

A empatia com muitas pessoas acho que está só em standby. É fácil estar atrás de um ecrã e dizer tudo o que me apetece dos outros. Só que essas pessoas esquecem-se que os outros são humanos e também têm fragilidades. A empatia não se perdeu, mas é urgente desenterrá-la. É um dos mais valores da minha vida.

 

Hoje, grávida do terceiro filho, a Maria sente que, quando somos mães, damos ainda mais valor à nossa?

Claramente damos muito mais valor à nossa a partir do momento em que temos um filho! Dou por mim várias vezes a perceber coisas que a minha mãe disse a vida inteira e que para mim não faziam sentido nenhum 
Pergunto-lhe muitas vezes como é que ela fazia com 5 filhos e como é que sobrevivia aos dias mais cansativos. É incrível como a nossa perspetiva muda sobre tudo.

 

É o amor que dá a confiança e a segurança para que uma criança cresça feliz?

É o amor que dá confiança e segurança mas sem dúvida nenhuma que as regras e os limites também são importantes para que uma criança cresça feliz.

 

Quando damos aos nossos filhos o nome de alguém que amamos muito mas que, infelizmente, já partiu, é o tentar perpetuar esse amor no tempo? Ajuda a desvanecer a dor da perda?

Nunca tinha pensado nessa questão do nome de alguém que já partiu assim. Sempre quis ter uma filha com o nome da minha avó porque é o meu nome preferido. Mas sabes, nunca achei que fosse ter filhas, tinha o nome guardado desde sempre para a eventualidade de o puder usar. A dor da perda vai atenuando com o tempo mas ainda tenho a sorte de me lembrar da voz, do sorriso e do cheiro da minha avó. O amor no tempo perpetua-se com as memórias e falando todos os dias na pessoa que foi embora. 

 

Quando a Maria olha para trás, o presente é muito mais bonito do que alguma vez sonhou ser possível?

Sim, o presente é muito mais bonito. Nunca pensei que com esta idade fosse ter (quase) 3 filhos, um marido espetacular, uma casa que adoro e, muito importante também, um cão espetacular que faz muita
companhia! Considero-me uma sortuda.

Muito muito obrigada Maria. De coração.

 

A Maria partilha, todos os dias, uma vida normal. Uma vida com uma felicidade tamanha, mas a vida tal como ela é: real, sem filtros ou máscaras.

A Maria é cordeal nos seus comentários, empática para todos os que a seguem. Tem na generosidade e no respeito alguns dos seus valores máximos, o que mostra a boa pessoa que é. A sua simplicidade, confesso, deixou-me ainda mais honrada por a ter aqui. Não se coibe de mostrar que nem todos os dias são bons. Que há dias maus...como em todas as famílias.

A Maria, tem hoje uma família grande. Feliz. Sua. Uma família pela qual luta todos os dias. Tal como todos nós! 

Obrigada Maria.