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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Sab | 03.07.21

À Conversa Nas Nuvens - Eunice Maia

Nuvem

Imaginem-se com 14 anos a admirar uma nova professora, incrivelmente capaz e com um desejo enorme de marcar os seus alunos pela positiva. Imaginem ainda que os marcou de tal maneira que mais de 15anos depois os alunos não a esqueceram e vibram com as suas conquistas?

Agora imaginem o prazer que é poder entrevistar essa mesma pessoa que tanto admirámos. Essa sou eu e tenho o prazer de hoje trazer às nuvens como primeira entrevistada desta temporada Eunice Maia, que será para sempre a minha querida professora Eunice, mas que é tão mais do que isso. Num sonho conjunto com o marido, criou a primeira Zero Waste Store e desde 2015 que nasceu a Maria Granel; faz parte do Projecto Z(h)ero e há já um livro e um podcast ... Temos tanto a aprender com ela todos os dias e hoje está aqui para falar connosco!

À Conversa Nas Nuvens.png

 

Antes de mais, obrigada por me conceder esta honra de estar aqui! Ainda é difícil acreditar que estou a entrevistar “a minha professora”. Então, a Eunice é, antes de tudo, professora de português. Ser professora foi sonho de menina?

Eu é que te agradeço muito este convite e o facto de, passados tantos anos, continuarmos na vida uma da outra. É um orgulho enorme poder acompanhar o teu percurso.

Sim, desde miúda. A minha mãe era professora e lembro-me de, quando a acompanhava na escola, se por algum motivo, tinha de sair da sala, era eu que assumia o controlo da aula. Tive a sorte de ter excelentes professores e, também por seu mérito, sempre senti essa vocação.

 

Quando foi minha professora (há alguns anos atrás), imaginava poder marcar a vida dos seus alunos da maneira que o faz?

Um dos aspetos que mais valorizo na minha profissão e vocação como professora é precisamente poder fazer parte do projeto de vida dos alunos. Há, aliás, um aspeto que me comove particularmente, que é o poder, a bênção, que um professor tem para ajudar os alunos a acreditar no seu potencial, orientando-os nesse crescimento, conduzindo-os na sua paixão. E espero ter conseguido contribuir e marcar, mesmo que de forma muito subtil, a vida dos que fizeram parte da minha, porque o oposto também acontece.

 

A infância no campo e o saber como é a vida lá foi um dos motes que fez nascer a Maria Granel em conjunto com o seu marido. Para quem não conhece, o que é a Maria Granel?

A Maria Granel é uma mercearia biológica 100% a granel. Foi inaugurada em 2015 e foi pioneira em Portugal ao introduzir o conceito de reutilização de recipientes como forma de combater o desperdício alimentar e de prevenir a geração de resíduos. Além de alimentos bio a granel, o nosso portefólio conta também com acessórios sustentáveis para todas as áreas da casa e do dia a dia.

 

Quando se vive numa cidade grande, como é Lisboa, e se convive com tanto desperdício, isso gera o quê interiormente?

No meu caso, assim que fui confrontada e despertei para o problema do desperdício alimentar, isso gerou, primeiro, revolta e, depois, motivação e ação. Todos nós, no campo ou na cidade, temos um papel a cumprir, o desperdício acontece em todas as casas, em todas as cozinhas, em todas as famílias. E não faz qualquer sentido num mundo em que 1/6 das pessoas não têm acesso a alimentos nós continuarmos a descartá-los. Além de um grave problema ambiental, social e económico, estamos também a falar de um gravíssimo problema do ponto de vista ético.

 

Na sua vida familiar, a implementação desta nova forma de vida é ainda gradual?

Penso nesta forma de vida como uma caminha longa, lenta e imperfeita. À medida que vamos estudando, investigando, contactando com outros projetos, percebemos que há muito para fazer, quer à escala individual, quer à escala comunitária.

 

E como tem sido ver que a Maria Granel está a crescer e que está a conseguir, realmente, mudar a vida das pessoas?

Tem sido extraordinário perceber que, seja através das lojas, seja através das redes sociais, seja através do livro, do blogue, do podcast, do nosso programa educativo, há pessoas que se sentem inspiradas ou motivadas a mudar pequeninos gestos do seu dia a dia. Isso é muito poderoso, dá muita força e certeza ao sentido da nossa missão todos os dias.

 

A Eunice diz que é preciso a “determinação que só a loucura lúcida às vezes nos dá” – sente-se hoje uma “louca” que nunca esteve tão lúcida?

Não diria melhor, é isso mesmo. É preciso essa loucura da determinação e de seguir em frente defendendo aquilo em que acreditamos, mesmo quando outros não o veem da mesma forma, mesmo quando avançamos antes do tempo, mesmo quando os outros acham que não vale a pena, para conseguirmos a mudança. Não tenho a menor dúvida, porque passei e passo por isso todos os dias.

 

E neste modo de vida tão mais “terra-à-terra”, as raízes do Minho vêm mais ao de cima? É mesmo importante saber de onde vimos para saber como e para onde queremos ir?

Durante muito tempo esqueci essas raízes, vivi exilada em cidades grandes, deixei-me deslumbrar por um consumismo impulsivo. Regressar a casa, à terra, através da Maria Granel e através, por exemplo, da forma como podemos contribuir para um planeta mais sustentável, é, indubitavelmente, perceber melhor para onde queremos ir. Essa conexão profunda com as origens ajuda-nos a perceber melhor o risco que corremos de perder o que nos define como humanidade – a noção de casa (comum).

 

Está provado que a qualidade daquilo que comemos é fundamental para o nosso bem estar físico e emocional. Sente-se mais saudável desde que mudou o seu estilo de vida?

Sim, e aconteceu de forma muito natural. A partir do momento em que paramos para olhar e pensar na forma como consumimos e percebemos o impacto daquilo que comemos não só na saúde do planeta mas também na nossa, as opções tornam-se muito mais claras. A minha história pessoal confirma-o: passei a comer mais alimentos produzidos localmente, a “descascar mais e a descartar menos”, a apostar mais numa alimentação de base vegetal, da época e, sempre que possível, a granel. E não foi só a saúde a ganhar, a carteira também, acredita!

 

Como professora, não sente que há ainda uma lacuna muito grande nas escolas em relação a este assunto?

Uma lacuna assustadora, seja relativamente à alimentação sustentável, seja relativamente à justiça climática. Como acontece noutros aspetos, é muitas vezes uma aprendizagem desvinculada do mundo e da dimensão prática; para perceber a compostagem, é preciso fazer uma composteira, ver o processo a acontecer, para perceber a importância da proteção da biodiversidade, era importante, por exemplo, ir conhecer o trabalho da Ocean Alive Org junto das pradarias marítimas. Era preciso que a escola fosse mais o mundo, fosse mais um laboratório vivo exterior do que uma sala interior. Mas a mudança também está a acontecer aí.

 

O programa Z(h)ero é a tentativa de consciencializar cada vez mais as pessoas e a comunidade educativa. Como está a correr?

Neste momento, estamos em duas escolas e está a ser extraordinário. Estamos a acompanhar duas comunidades; uma, a do Colégio de Lamas, já fez o seu diagnóstico de resíduos produzidos durante uma semana, já tem os dados, já obteve respostas em relação às principais fontes desses resíduos, e já elaborou um plano para reduzir e implementar alternativas em todos os setores da escola, depois de todos terem recebido formação; na outra escola, estamos no momento da formação. Além do privilégio que é trabalhar de perto com equipas altamente motivadas e que viram neste projeto uma prioridade, tem sido extraordinário, sobretudo, ver as mudanças a acontecer também nas famílias, fora de casa e na comunidade.

 

Duas lojas, um livro, workshops e um podcast depois… o que falta ainda fazer? Quais os próximos sonhos a concretizar?

Vem aí agora um evento digital, em julho, para juntar todo o setor do granel para discutir o futuro, com a ajuda de especialistas nacionais e internacionais, vem mais um livro e vem uma grande surpresa. E mais não digo, que ainda não posso.

 

Obrigada. Mil vezes obrigada.

 

Quando sonhei com uma nova temporada das "Conversas nas Nuvens", soube imediatamente quem queria que fosse a primeira entrevistada - uma pessoa que, sem ela saber, me marcou tanto, mas tanto, que nunca a esqueci apesar de não a ver há tantos anos (16!). Mas, também, confesso: entrevistar a nossa professora de português deixa um friozinho na barriga! 

A querida Eunice é um exemplo enorme de como nos podemos tornar melhores pessoas todos os dias; de como os nossos gestos podem ajudar a transformar o mundo num sítio mais bonito de se viver. A "Maria Granel" é um sonho que ela e o marido concretizaram mas é hoje muito mais do que isso. É um projeto de vida. É um projeto em constante desenvolvimento, com novas iniciativas, novos lançamentos... incrível!

Sempre lhe reconheci uma enorme generosidade e uma forma muito especial de ver o mundo; hoje, com todos estes projetos, continua a ser professora. E, posso apostar, continua a marcar todos os que têm a sorte de assistir às suas aulas.

 

A Eunice. Que sorte a minha.

Sex | 02.07.21

O estúpido do preconceito!...

Desafio dos Pássaros 3.0

Nuvem

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- Estás a imaginar a minha cara? - Sara contava o encontro a Maria, a sua melhor amiga...

- Oh Sara...mas a condição física não deveria ser um impedimento para amar. Eu sei que dás muito valor ao teu corpo, é a tua profissão enquanto bodybuilder mas...

- E claro que não é! Pelo menos para mim...para ele é que foi. Quando me viu ficou tão calado e quieto que não foi em nada como costumava ser quando falávamos pelo computador... eu sei que conhecer alguém no Tinder pode trazer desilusões...mas eu estava a divertir-me tanto com ele...achei mesmo que podia resultar...

- Mas achas que por ser anão se sentiu incomodado?

- Sim...ele mudou totalmente da pessoa que eu "conhecia". O sorriso que tinha quando se virou e me viu esmoreceu, confirmou que era o Luís e depois disse duas ou três palavras e foi embora. Desde aí que não me responde às mensagens nem nada...

- Sabes Sara, infelizmente a nossa sociedade ainda tem muitos preconceitos e ele talvez se tenha sentido inseguro. Deve ter pensado que uma mulher com tu nunca iria gostar de uma pessoa como ele...o que é uma estupidez claro!...

- Mas ele já me devia conhecer...por tudo o que fomos falando, deveria saber que eu não sou esse tipo de pessoa...

 

Sara estava triste. Não sabia se Luís era o homem da sua vida...mas a incerteza do que poderia ou não ser é que a matava..o nem sequer poder ter oportunidade de descobrir. Tudo pela estupidez do preconceito...

Qui | 01.07.21

Julho julho..

Nuvem

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Julho. Um mês de algumas muito más recordações.

Mas também o mês das férias. Por isso, espero que sejas bom. Espero sinceramente que tragas alguma paz, calor e tranquilidade!

 

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